Diário de uma ECT – a décima sétima e a décima oitava vez

novembro 19, 2009 por lurdesmaria

As coisas andaram diferentes nessas duas sessões de ECT, ela tiveram um tempo mais longo entre uma e outra, algo por volta de uma semana. Depois da décima sétima aplicação minha mãe se sentiu muito mal, com dores de cabeça tremendas, mas isso não foi nada. No dia seguinte ela acordou mal, uma nítida recaída da depressão, essa durou 5 dias, 5 longos e intermináveis dias, é desesperador imaginar que de uma hora para outra tudo pode voltar. Ela melhorou um dia antes de fazer a décima oitava sessão, assim, sem explicação alguma. Hoje provavelmente passamos pela última sessão de ECT, a manutenção foi indicada, mas ainda não sei se minha mãe terá coragem de fazê-la, esperaremos um pouco para pensar nisso e decidir. De qualquer maneira digo que o ECT finalmente salvou a vida de minha mãe e a minha também, indico para qualquer um que estiver passando por uma depressão grave e refratária, não é fácil, mas é a luz no fim do túnel…

Diário de uma ECT – a décima quinta e a décima sexta vez

novembro 9, 2009 por lurdesmaria

Resistência é o resumo de minha mãe em relação às sessões de ECT. Ela já está se sentindo melhor e está muito resistente a fazer outras aplicações, para ela o tanto que passa mal não justifica fazer mais, ela já se sente melhor e não acredita muito no risco de voltar a ficar como estava. tanto porque ela não se lembra de como estava. É quase impossível convencê-la do quão ruim ela estava e que qualquer mal estar não passa perto do que ela sentia. A psiquiatra diz ser normal e que muito pacientes de ECT, depois de um certo número de aplicacões ficam extremamentes resistentes ao tratamento e não querem nem ouvir falar. O problema é que, sem mais sessões e uma manutenção adequada pode-se perder parte do benefício do tratamento. Dilema difícil e nem os médicos conseguiram fazer mudar de idéia, agora esperaremos por quase uma semana para ver se ela reconsidera e aceita fazer o tratamento uma vez por semana e depois de um tempo de 15 em 15 dias, até que seja somente uma vez ao mês e ai sim possa parar de vez. O medo de que a melhora que ela obteve vá pelo ralo por ela não querer continuar esse final de tratamento é absurdo, não sei o que faço, mas não posso obrigá-la a fazer as sessões. Darei notícias em breve.

A parte boa é que ela está muito melhor, mas muito mesmo, não dá nem para comparar de quando ela estava mal, affe, é muita diferença, para a psiquiatra ela melhorou em torno de 60 a 70% o que é sensacional para alguém que não conseguia para de chorar e tudo mais que já está escrito em outros posts. Tenho um medo gigante de que essa melhora vá embora e suma como fumaça, agora atacaremos em outras fontes como terapia (é impossível fazer durante o ECT já que a memória é “apagada” a cada sessão, ficaria parecendo a terapia da Dory de Procurando Nemo) e outras ocupações, a guerra agora é para sustentar o que conseguimos.

Diário de uma ECT – a décima quarta vez

outubro 30, 2009 por lurdesmaria

Na quinta fomos à décima quarta sessão de ECT de minha mãe. Neste dia ela acordou muito mal, me assustei e continuo assustada até agora, ela estava com dores no peito, chorosa e com todos os sintomas das crises de depressão que ela normalemente tinha, fiquei muito preocupada. Será que isso pode acontecer, voltar tudo assim, de uma hora para outra??

A coisa não foi tão grave como seria antes do ECT, ela tomou um lorax e conseguiu dormir um pouco e se acalmar (antes nem Zyprexa dava jeito), quando acordou estava se sentindo um pouco melhor. A opinião dos médicos é de que isso é normal e pode acontecer, ela também passou por uma alteração de medicação, mas a psiquiatra não acredita que isso tenha tido muita influência nesta recaída. Depois da sessão de ECT ela teve bastante dor de cabeça, mas não teve mais sintomas de crise.

Hoje pela manhã ela acordou um pouco melhor do que ontem, as manhãs tem sido sempre mais difíceis. Estou ainda um pouco sem chão, me deu um pânico completo de que tudo posso voltar assim, sem explicação, sem nenhum gatilho ou coisa do tipo, tenho muito medo que isso possa acontecer depois que finalizarmos o tratamento. Agora só o que resta é acreditar nos médicos de que essas recaídas ainda podem ser normais e que provavelmente não vem com a mesma força que tinham anteriormente. Uffa, vamos nessa.

O diário continua, fico buzinando no ouvido de minha mãe para que escreva todos os dias, pelo menos um pouquinho. Ajuda muito, especialmente quando acontece algo importante, que ela sabe que não quer esquecer ai corre lá e escreve um pouco.

Diário de uma ECT – a décima terceira vez

outubro 28, 2009 por lurdesmaria

Hoje fomos à décima terceira sessão de ECT de minha mãe, chegamos lá mais ou menos no horário de sempre, não precisamos esperar muito, ou talvez, a espera já esteja tão corriqueira que não a sentimos mais tão longa. Sempre vamos eu e minha irmã junto com minha mãe, é complicado porque não podemos ter nenhum outro afazer por dois dias da semana, mas vale a pena, acho que faz diferença para ela e faz com que o dia de ir a ECT fique associado a algo bom, a um dia em que ela ficará por muito tempo na companhia de suas duas filhas.

Conversamos com o médico novamente e desvendei que na verdade o tratamento não foi alterado de bilateral para unilateral, o que foi alterado foram algumas frequências e mais sei lá o que, nada que eu tenha entendido muito porque me parece ser bastante técnico, mas o tratamento então continua sendo bilateral que é mais eficaz em casos de depressão refratária, mas teve alterações para que o efeito colateral do esquecimento não seja tão severo. Minha mãe ainda não gosta de ir, mas creio que ninguém gostaria, ela está entendendo um pouco mais que está melhorando e que o tratamento pode sim estar fazendo bem.

Hoje foram administrados mais medicamentos direto na veia, uma quantidade maior de dipirona e dramim, ela saiu sem enjôo ou dor de cabeça, só estava um pouco tonta e desorientada, não sei se tudo é só pelo remédio ou se o corpo começa a se acostumar com o tratamento e a volta da anestesia. Ela não teve sono, o sono só apareceu agora a noite, sempre fico receosa quando ela não consegue dormir muito depois de uma sessão do tratamento, tenho medo que fique pensando em coisas e logo em seguida lembrando de como ela mudaram.

A opção agora é seguir o tratamento, mais sessões serão feitas, ainda não sei quantas, as melhoras estão aparecendo aos poucos, insisto todo dia para que ela escreva no diário, algo que não gosta muito, mas depois acaba ajudando. Ainda não a deixo sozinha, o tratamento parece mesmo um boom no cérebro, tenho a sensação de que minha mãe está sempre lidando com novos acontecimentos, não há continuidade, por exemplo ela não pode começar algo hoje e terminar somente na próxima semana porque os dias da sessão de ECT apagam o que ela fez anteriormente, mesmo que depois de falarmos ela se lembre não é a mesma coisa, ela não tem segurança o suficiente.

Por enquanto é isso, quinta tem mais. Ah, definitivamente minha mãe está mais bem humorada, muitas vezes ri de minhas piadinhas sem graça e acha muita graça quando fico vesga (igual se faz quando é criança e se passar uma estrela cadente vc ficará assim para sempre)!

Diário de uma ECT – a décima segunda vez

outubro 26, 2009 por lurdesmaria

Na última quinta-feira minha mãe passou por sua décima segunda sessão de ECT, desde a décima sessão o tratamento passou de bilateral para unilateral, o que quer dizer que tem menos efeitos colaterais e um tantinho menos de eficácia também, se eu senti diferença? Não sei, acho que não, acho que na verdade os efeitos colaterais deram uma estagiada, mas melhorar não melhoraram, talvez seja esse mesmo o efeito, tentar somente que as coisas não piorem. A depressão de minha mãe ainda é bastante presente, ela não tem vontade de fazer nada, mas agora ela se incomoda com isso, antes não, acho que este também é um sinal de melhora, um sinal de perceber que há algo errado e que é preciso tentar mudar. Fomos à psiquiatra que acredita que mais 2 ou 4 sessões de ECT serão necessárias, acho que o máximo que fazem assim seguidas são 20 sessões, se for para ver melhora contínua em minha mãe tudo é valido.

O esquecimento dela continua e isso a incomoda demais, a psiquiatra deu a mesma dica que eu falei no último post, fazer um diário, parece simples, mas quando a pessoa não está bem ficar ali escrevendo o que aconteceu ou deixou e acontecer pode ser um martírio, minha mãe não tem a menor vontade de escrever, mas eu insisto, sei que será importante. Também tiramos fotos e imprimimos para colar nos dias em que fomos a algum lugar diferente (cinema, teatro ou algo assim, os passeios não devem ser muito audaciosos).

Minha mãe ainda se sente muito mal sozinha, na verdade não consegue ficar sozinha e nem deve, pelo menos por enquanto, acho que todos os companheiros de pessoas com depressão severa sabem um pouco o que é isso, não planejar nada, posso até planejar algo muito a fente se conseguir que minha irmã (que não mora na mesma casa) possa ficar com minha mãe, mas não posso planejar algo pela manhã para fazer a tarde que não inclua a minha mãe, eu falo até de sair com amigos ou algo assim, não é possível receber um telefonema, marcar algo e zarpar fora. Não culpo minha mãe, ela está doente e precisa de mim, mas me culpo muitas vezes, eu poderia ter percebido tudo antes, poderia ter ajudado antes que as coisas chegassem nesse estágio, onde eu estava, o que estava fazendo que não me dei conta do rumo que a vida de minha mãe estava tomando?? Se a depressão (como qualquer outra doença) for tratada no início a remissão será muito mais simples, mas a maioria das pessoas (como eu) fiam ali sentadas tentando entender  e justificar coisas que não serão entendidas nem justificadas, eu gostaria muito que depressão fosse uma simples frescura, mas não é e não achem que é mesmo que a pessoa tenha uma vida dita perfeita, com marido, filhos lindos, carro na garagem e tudo mais que alguém pode ter. A clássica pergunta “você está triste porque? Tem tudo na vida e fica ai chorando, quer mais o que?”nunca será respondida, não há resposta, há sim tratamento.

Dica para quem irá fazer ECT

outubro 22, 2009 por lurdesmaria

MANTENHA UM DIÁRIO PLEASEEE é serio, manter um diário será a melhor maneira de quem irá passar pelo tratamento da ECT não achar que está ficando doido. Será muito precioso ter um diário de tudo o que acontece e como está se sentindo dia após dia, para em momentos de esquecimento e agonia poder ler e saber que tudo já foi pior porque os outros falando não será suficiente.

Diário de uma ECT – a décima primeira vez

outubro 22, 2009 por lurdesmaria

A décima primeira sessão de ECT de minha mãe aconteceu ontem, conforme as anteriores as coisas agora já não são tão difíceis no sentido de passar mal, mas da resistência dela em fazer o tratamento. Ela ainda sente muito enjôo e mal estar após o tratamento, mas esqueceu-se completamente de como já se sentiu anteriormente po conta da depressão, portanto o que está sentindo agora é algo novo e para ela parece ser a pior coisa que já sentiu na vida. Sinto que houve melhora, mas ela ainda não tem vontade de fazer nada e sente a angústia da depressão. É complicado explicar, acredito que a melhor maneira seja dizer que eu virei mãe da minha mãe. Hoje tinha que sair para uma primeira reunião importante de trabalho, minha mãe só conseguiu confirmar comigo se eu não demoraria em voltar, aquele sentimento de mãe, de apoiar, ficar feliz, ajudar e tudo mais não existe, a preocupação de minha mãe é completamente outra. Está tudo invertido, ela quer e precisa ser cuidada o tempo todo e a mim cabe o papel de cuidar, é difícil encarar a realidade e perceber que não há aquela maezinha para sempre, cuidando, apoiando e sendo seu suporte para tudo. Enfim, estou cabisbaixa hj, amanhã melhorarei, até. Amanhã tem ECT.

Diário de uma ECT- a nona e a décima vez

outubro 17, 2009 por lurdesmaria

Faz um bom tempo que não posto, andava cansada, até mesmo para escrever. As duas última sessões de minha mãe foram bem, ela não passou muito mal, só nos dias posteriores teve muito enjôo, ela está enjoada já tem uma semana, nada parece melhorar muito, achamos que é da anestesia, faz uma bagunça com o estômago.

Mas o principal da coisa deixou de ser se ela passa mal ou não, agora na verdade é a confusão em que ela se sente o que está me deixando perdida. Ela está muito, severamente confusa e esquecida, ai se sente mal por isso, por se sentir tão mal, não quer mais fazer o tratamento, apesar de falarmos umas 4 vezes ao dia de que tudo isso é normal e vai passar, mas que a continuação do tratamento é essencial para que ela melhore.

Descobri que ela realmente não se lembra do que a depressão já fez com sua vida, ela não lembra de não conseguir fazer nada, de só ficar na cama, de só chorar, não conseguir dormir, nem comer, ela não tem recordação de nada disso, tudo sumiu, então o que ela sente agora, ela acredita ser o pior que ela já se sentiu na vida, ela não lembra mesmo de ter passado por coisas piores quando estava em crise de depressão. Ai fica aquela conversa de maluco né, eu conto pra ela tudo o que ja aconteceu pela manhã, a tarde ela já esquece e tenho que contar tudo novamente, e assim vai seguindo.

É bastante difícil porque a pessoa fica dependente de uma maneira estranha, não pode ficar sozinha, não dá para encontrar amigos ou parentes que ficam perguntando coisas que ela não lembra, fico próxima para ajudar e proteger, de forma que ela não perceba o quanto relamente está esquecida e consequentemente não fique ainda mais resistente ao tratamento, além de que não quero que ninguém perceba nada de errado com minha mãe e fique perguntando o que ela tem, enchendo o saco, as pessoas não tem sensibilidade.

Acho a maioria do mundo muito sem noção para essas coisas, ficam querendo saber porques e tudo mais, não tem porque, é assim porque é e pronto, estamos em tratamento e cabou-se, não me encha as patovinas, me cansa ter que dar satisfações, eu parei, sou uma grossa com todos que vem com perguntas imbecis.

Estou em um misto de sensações bastante estranhas, ao mesmo tempo que acho extremamente difícil acompanhar alguém que está passando pelo tratamento com ECT, isto está sendo estranhamente menos difícil, ou menos sofrido, do que acompanhar o dia a dia de minha mãe em depressão, são sentimentos muito estranhos. Não acho boa a maneira como ela está e muitas vezes é sufocante e assustadora, ela também está infantil, assim, me sinto cuidando de uma criança, na maneira de falar e agir..é dificil explicar, mas tudo era ainda pior quando a depressão falava por ela, não sei mesmo explicar, mas acho que o que quero dizr é que prefiro minha mãe dependente por estar confusa, esquecida e infantilizada do que mais consciente, porém sofrendo com a depressão.

como ajudar alguém com depressão?

outubro 12, 2009 por lurdesmaria

Tenho pensado muito nisso, especialmente pelas tags que aparecem na procura do blog, muita gente procura por isso na net, eu já procurei milhões de vezes, mas nunca encontrei informações que fossem além de levar ao psiquiatra e terapia, não é só isso que as pessoas precisam saber. Conviver com alguém com depressão pode ser massante, irritante, enlouquecedor, desesperador, triste, agoniante, entre outras coisas, mas como conviver com tudo isso e conseguir ajudar no dia a dia quem precisa tanto de você?

Leia, leia muito, na internet e em livros, não só sobre depressão, mas sobre outros transtornos também, tudo que fale sobre a mente pode te ajudar a entender melhor esse estado depresivo, diferenciar o controle das crises e lhe ajudar a lidar com as mudanças de humor tão repentinas, além de encontrar que muita gente que vive em histórias muito piores que a sua, seguem aqui alguns links de livros e blogs que podem ajudar:

O Demônio do meio dia, À espera do sol, Uma mente inquieta, Quando os filhos viram pais

Falar, sempre positivamente, falar que as coisas não ficarão assim pra sempre, nada é para sempre, tudo muda, então aquela situação também mudará.

Quando a crise for de ficar na cama e nada do que você fala surge reação, não se esforce ou fique desesperado, fique próximo, por ali, solicito a trazer água ou comida, não adianta forçar, a pessoa não irá levantar porque você quer, ou porque o dia está bonito nem nada disso, mostre que ela não está sozinha, ficque próximo e pronto, não há mais nada que você possa fazer.

Aprenda a deixar a pessoa chorar, é muito agoniante, mas tem horas que não há outra opção.

Convença o deprimido a ir ao psiquiatra, procure um bom psiquiatra, bom de verdade, muitos, aliás a maioria dos psiquiatras podem piorar muito mais do que ajudar.

Convença de que a terapia é importante, também procure um bom profissional, terapia errada pode fazer um estrago gigante.

Você vai gastar dinheiro, se não tiver de onde tirar procure pelos meios públicos, existem muitos remédios de alto custo que se consegue pegar, também existem instituições públicas especilaizadas em psiquiatria, onde você encontrará bons profissionais, as vezes vale mais a pena a espera por uma consulta com alguém realmente bom do que ir no do seu plano que gastará 8 minutos na avaliação completa.

Se você suspeitar que o depressivo tem pensamentos suicidas saia correndo, vá a algum médico, não espere milagres, se não conseguir um bom médico, consigo no que você for receita de remédio que deixe a pessoa ‘dopada’com muito sono ou coisa assim até que você consiga a consulta com um bom profissional, é melhor a pessoa não ter forças para levantar e dormir o dia todo do que fazer alguma bobagem.

Uma religião também é bom, qualquer coisa que faça com que a pessoa acredite que há um poder maior.

Não é fácil e é muitas vezes frustante, mas você pode ajudar, especialmente se conseguir entender realmente o que se passa, depressão é doença, tem que tomar remédio, você não deixaria de tomar seu remédio de pressão alta sabendo que com isso poderia ter um treco, deixaria? é a mesma coisa, tem que tentar todos os tratamentos possíveis, até acertar o remédio e sua dose, e se for o caso chegar ao tratamento com ECT.

Não fique no sofá esperando que as coisas se resolvam, vá atrás, procure bons profissinais, acredite que eles podem te ajudar, crie sua própria maneira de lidar com a situação, e especialmente não desista.

A confusão

outubro 12, 2009 por lurdesmaria

Hoje assisti um filme sobre família e Natal, ok, sei que está tudo errado e que neste momento este é o tipo de filme que eu deveria fugir como diabo da cruz, mas é irresistível. Acho que quanto mais minha família fica bagunçada, mais tocada fico com esse tipo de filme, o sentimentalismo, a família, a alegria que surge do nada, é difícil pensar que em muito tempo isso não acontece com sua família e é invejável imaginar que acontece com outras famílias, além de ser muito saudosista e dolorido lembrar de quando já aconteceu com a sua.

A confusão de minha mãe está cada dia mais latente, não sei se é normal tanto esquecimento, espero que sim. Ela esquece de quase tudo, e se sente muito estranha, diz que é uma sensação esqusita que não sabe explicar, está confusa demais. O que percebi é que ela realmente esqueceu de como já chegou a se sentir por causa da depressão, parece que ela era alguém normal, sem nenhum problema e ai foi submetida a esse tratamento, parece que é isso que ela sente. Ela ainda tem muito medo do tratamento, acha que está fazendo ela piorar, eu sei que não, porque já a vi muito pior, chorando seguidamente e com pensamentos suicidas, tudo isso agora ela já não tem mais, mas se sente estranha. A culpa é do tratamento e é difícil admitir que sua mãe está melhor toda confusa e esquecendo de tudo (o que causa muito constrangimento e irritação nela ao conversar com os outros) do que ficar “normal”o que seria o normal dela, chorando e muito depressiva.

Estamos tentando afastá-la de todos, não é todo mundo que sabe sobre o tratamento e até é melhor assim, afinal seria um transtorno enorme explicar para todos o que se passa, além de esbarrar na ignorância de muita gente que não entende e ainda acha que depressão é frescura e doença de madame e que eletroconvulsoterapia é tortura e tratamento pra maluco.

É bastante difícil acompanhar esse tratamento, a pessoa fica muito fragilizada, não consigo nem imaginar em deixar minha mãe sozinha, não quero ninguém falando com ela, apontando que ela está esquecendo as coisas, pressionando ela a lembrar de coisas que sei que se apagaram temporariamente da mente dela, a vontade é protegê-la de tudo, ficar ali, cercando.